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©2005-2009 ~negateven
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Submitted: February 19, 2005
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Há palavras que se arrastam tão lentamente que se perdem na sua própria significânica. Há vozes, gestos, caras, peles e corpos que se perdem tão lentamente que se afogam no rio de uma infância distante.

Ouço-me agora: uma voz fraca e adocicada pelos cigarros fumados em movimentos que denunciam um vício de desolação profunda. É o tempo em que tudo volta ao seu início: um corpo, um café, uma mesa, vários cigarros, um outro corpo, vários cigarros. Dois corpos, vários cigarros., dois corpos, vários cigarros. Um corpo. Vários cigarros. Variados afogamentos de veias e a nítida sensação de uma vida retalhada em momentos esperados, proibidos tambem, de tristeza.

Porque posso, e porque as palavras são minhas o tempo que o quiser, rasgoa-as na pele para dizer que há algo que sinto: a tristeza. E sejam as notas tristes, as tuas, que me acompanham agora.

Faço de mim o palhaço e a criatura obscena que teia em segredar lamentos que se consomeme na mais perfeita da ignorancia: a incerteza de olhos sobre as frases formadas dos dedos sobre o vómito ainda fresco. É esta a minha voz, movimentos perpétuos das sombras que sempre viveram nos sonhos desfeitos no acordar de um lençol amarrotado das memórias que nunca foram minhas.

É esta a minha voz. A insignificância. A tristeza. O adeus. O renascer e nada ser. E no espaço que habito e que nada é, nas paredes desta casa que teima em adormecer num rio onde tantas vezes me afoguei, grito:

“Pela primeira vez fecho os olhos. E ao som de melodias imaginadas que nunca poderão sair destas mãos moribundas de veias em esforço, imagino o silêncio. Imagino palavras imperceptíveis, imagino gestos no escuro e que tocam a pele na pele. Mas as minhas melodias sempre foram as menores possíveis. Sempre fui apenas uma peça numa pauta, talvez a do silêncio. Talvez a do pianíssimo. Não. Talvez seja pedir muito um pianissimo. Uma pausa onde todas as notas podem descansar de mim, finalmente, entre as águas que poderiam ser, apenas, uma das tuas lágimas.”

Lentamente, entre trapos espalhados aleatoriamente no chão, e sempre tudo tão lentamente, escureço o quarto onde me deitarei hoje. Prometo a mim mesmo que não imaginarei formas indolores de suicídio e de perda da capacidade da escrita. A mancha negra sobre um pedaço de vida puro. A insignificânica e o arrependimento nascem na faca que me persegue e me diz que a morte é, contudo, o mais perfeito esquecimento.

Olho-me. E esqueço-me por instantes. Imagino-te. E esqueço-te por instantes. Dou-te uma palavra minha, aceita-a, por favor: Há palavras que se arrastam tão lentamente que se perdem na sua própria significânica. Há vozes, gestos, caras, peles e corpos que se perdem tão lentamente que se afogam no rio de uma infância distante.

Afogo-mr hoje no palhaço do amor que sempre fui. Adeus.
Daily Deviation, 2005-03-02

Daily DeviationSolitude, loneliness, shame...you can see so many things in one image can you not? The Clown by *negateven (Suggested by ~lorrainemd and Featured by `suzi9mm)

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Comments


woah..very impressive..
really love the mood..the emotion in it

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"Two things are infinite: the universe and human stupidity - and I'm not so sure about the universe" ~ Albert Einstein
>Mit deem Leben ist es wie mit dem Brot - es wird hart, wenn man es nicht genießt<
Wow.... you can FEEL the shame.
Brilliant as always.

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Lies will never stop
Pain will never die
Angels never burn
And Devils never cry
genial.

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-beauty remains in the impossibilities of the body- ~colapso
:clap:

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DeviantART account of: Morella Baltimore and Lux Gynoid
palavras são desnecessárias.
Desculpa mas...

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«Tormented echoes of a fallen Eden...»
o silêncio.

o levantar do corpo, em pausa, num murmurado silencio, transformado em palmas e louvores, que as vezes parecem ser importantes. mas não são.

o amor, se é que eu posso falar dele, pode ser vivido de várias formas. nenhuma delas é a certa.

gostei. ponto. como sempre.

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the plan it wasn't much of a plan... i just start walking.
Sintonia de palhaços.

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Vanitas Vanitatum Et Omnia Vanitas
this is scary - but still another winner! :winner:

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Member of :iconpoetrycafe: Stop by and have a look. :heart:
Sabes... fez-me lembrar uma coisa que tenho ouvido com alguma insistência ultimamente...
:blushes: retornos à adolescência, é verdade, mas nem por isso menos válidos... digo eu ;)

The fool escaped from paradise will look over his shoulder and cry
Sit and chew on daffodils and struggle to answer why?
As you grow up and leave the playground
Where you kissed your prince and found your frog
Remember the Jester that showed you tears,
The script for tears

So I'll hold my peace forever when you wear your bridal gown
In the silence of my shame, the mute that sang the siren's song
Has gone solo in the game, I've gone solo in the game
But the game is over

Can you still say you love me

Fish


E não sei se com o esquecimento a tristeza desaparece.

abraço.

--
francisco.

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